17.7.06

Na foto: Kanako, Poliana e Luciana no Café Boheme (início do semestre)

BUCHENWALD

Ontem eu conheci um campo de concentracao, chamado Buchenwald.

Dentre muitas coisas horrendas que eu vi e ouvi lá, a pior foi saber que os soviéticos reutilizaram o Buchenwald para manter seus presos políticos (muitos deles sem julgamento prévio).

Nao há muito o que falar sobre o assunto. Eu nao consegui processar tudo direito. Vair levar alguns anos.

Mas olhando para mim e para o meu país, nao consigo esquecer das atrocidades cometidas entre nós. Desde ontem, nossa podridao tem me vindo a mente, como que se esfregando no meu nariz, pra eu enxergar bem.

Fico pensando no povo alemao da época que aceitou o nazismo, dado as melhores condicoes de vida oferecidas à populacao pelo sistema totalitário. Preciso, entao, me encarar no espelho.

Até quando vamos aceitar a corrupcao em TODAS as esferas da sociedade? Enquanto tivermos pao quente no café da manha?

Até quando vamos aceitar a existência da Belíndia, desejando sempre a "Bélgica" e esquecendo da "Índia"? Enquanto tivermos nossa viagem de verao garantida?

Até quando vamos aceitar o racismo mascarado, a criminalidade nos fritando, a ditadura da midia? Enquanto tivermos nossos sons e tvs coloridas, nossos celulares de ultimo modelo, nossos jardins floridos?

É claro que eu nao sou contra ter nada disso. Sou contra ter o conforto como a meta final de nossas vidas. Isso nos faz silenciar...

***

Pra variar, Robson Cavalcanti escreveu mais um texto brilhante para a Revista Ultimato. Leiam AQUI.

***

Sou cristao, nao porque a fé crista é atrativa, mas porque é verdadeira. (John Stott)

Um grande abraco para todos!

Luciana Tolentino

7 Comments:

Blogger silas said...

Meu voto é seu!

6:19 PM  
Anonymous Pri said...

O que os ares alemães não fazem com as pessoas, hein?! De volta aos discursos filosóficos de desde de sempre!!
2 votos pra vc...rsrsrs

Gigabração velhaaaa!!!

6:23 PM  
Anonymous du said...

Oi Lu...
lí o seu texto e não me contive em comentar...

vai então uma letra do Aldir Blanc para uma música do João Bosco, lá dos anos oitenta... talvez vc nem fosse nascida ainda... mas o fato é que aqui na terrinha a gente pode esbarrar num campo de concentração a cada esquina, onde os nazistas somos nós...

um beijo. du (liz)

Tiro de Misericórdia 2

Composição: João Bosco & Aldir Blanc

O menino cresceu entre a ronda e a cana
Correndo nos becos que nem ratazana.
Entre a punga e o afano, entre a carta e a ficha
Subindo em pedreira que nem lagartixa.
Borel, juramento, urubu, catacumba,
Nas rodas de samba, no eró da macumba.
Matriz, querosene, salgueiro, turano,
Mangueira, são carlos, menino mandando,
Ídolo de poeira, marafo e farelo,
Um deus de bermuda e pé-de-chinelo,
Imperador dos morros, reizinho nagô,
O corpo fechado por babalaôs.

Baixou oxolufã com as espadas de prata,
Com sua coroa de escuro e de vício.
Baixou cão-xangô com o machado de asa,
Com seu fogo brabo nas mãos de corisco.
Ogunhê se plantou pelas encruzilhadas
Com todos seus ferros, com lança e enxada.
E oxossi com seu arco e flecha e seus galos
E suas abelhas na beira da mata.
E oxum trouxe pedra e água da cachoeira
Em seu coração de espinhos dourados.
Iemanjá, o alumínio, as sereias do mar
E um batalhão de mil afogados.

Iansã trouxe as almas e os vendavais,
Adagas e ventos, trovões e punhais.
Oxum-maré largou suas cobras no chão.
Soltou sua trança, quebrou o arco-íris.
Omulu trouxe o chumbo e o chocalho de guizos
Lançando a doença pra seus inimigos.
E nana-buruquê trouxe a chuva e a vassoura
Pra terra dos corpos, pro sangue dos mortos.

Exus na capa da noite soltara a gargalhada
E avisaram a cilada pros orixás.
Exus, orixás, menino, lutaram como puderam
Mas era muita matraca e pouco berro.
E lá no horto maldito, no chão do pendura-saia,
Zumbi menino lumumba tomba da raia
Mandando bala pra baixo contra as falanges do mal,
Arcanjos velhos, coveiros do carnaval.

- irmãos, irmãs, irmãozinhos,
Por que me abandonaram?
Por que nos abandonamos
Em cada cruz?

- irmãos, irmãs, irmãozinhos,
Nem tudo está consumado.
A minha morte é só uma:
Ganga, lumumba, lorca, jesus

Grampearam o menino do corpo fechado
E barbarizaram com mais de cem tiros.
Treze anos de vida sem misericórdia
E a misericórdia no último tiro.

Morreu como um cachorro e gritou feito um porco
Depois de pular igual a macaco.
Vou jogar nesses três que nem ele morreu:
Num jogo cercado pelos sete lados.

6:45 PM  
Anonymous Anónimo said...

Lu,

a Liz me passou o seu blog e eu fiquei muito feliz de te ver por aqui! Puxa! Vc não imagina a falta que está fazendo aqui no PA. Adorei saber que vc está cantando e experimentanto tantas novidades!

Coincidentemente eu sonhei com vc esta noite e vc estava cantando lindamente!

Além disso estou lendo um livro que tem me feito pensar muito sobre a vida, sobre o que fazemos dela (ou o que deveríamos fazer) sobre a morte, sobre as pessoas, etc. O fato é que isso tem tudo a ver com o seu texto! Ele se chama "A Roda da Vida" de Elisabeth Kübler-Ross.

Bom...aproveite muito!!
Fique com Deus!
um bjão! Saudades!

Bárbara Penido.

11:52 PM  
Anonymous Anderson said...

Botou pra quebrar, Lú. Eu sempre me pergunto: "se eu fosse alemão e branco na década de 30, eu não seria nazista?" Duro admitir, mas acho que a probabilidade seria alta...

9:44 PM  
Anonymous Anónimo said...

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»

2:58 AM  
Anonymous Anónimo said...

Very pretty design! Keep up the good work. Thanks.
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6:20 AM  

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